sábado, 22 de junho de 2013

De repente, balzaquiana!


 Essa semana completei 30 anos, e há alguns dias tenho refletido sobre isso. Pensei que entraria em crise, ficaria mal, descobriria rugas invadindo meu rosto, dores nunca dantes experimentadas... A casa dos 20 passou muito rápido. Parece que estava adormecida e, de repente... 30! Como no filme, ainda me sinto um tanto adolescente. Seria imaturidade ou "il fancciulino" que não quer ir embora? ( se for ele, deixe ficar... em outro texto o explicarei).
Dias atrás, estendendo roupa no varal ( viu como até que cresci?) e remoendo o assunto, uma ideia alumiou-trovejou em mim: para sua mãe, foi quase metade da vida, para o Fernando Maluf, foi quase tudo. E pra vc? ( bota um reparo que essa ideia fala comigo na terceira pessoa, desconfio que seja meu Amigo do Céu...rs)
É, remexi minha certidão de nascimento e não encontrei prazo de validade. E agora, José?
Outro alumiamento: A pergunta é a resposta: e agora? É o agora. Viver o hoje, com gratidão a Deus por mais um dia. Basta a cada dia o seu mal...
Ouvi no curso de finanças que encerramos exatamente no dia 17, minha data-start, muito sobre a eternidade ( a última aula é uma interessante discussão sobre isso à luz da Palavra). Que presente poder refletir com amigos amados sobre coisas que me cutucavam há dias!!!
Um deles soltou um pensamento: cuidar do corpo como se fôssemos viver eternamente, cuidar da alma como se fosse o último dia.
E é por aí que ando amarrando meus burros. Cuidando do corpo, que estava abandonado e repensando minha espiritualidade, maquinando uma forma de tirar as ferrugens da fé morta e retornar ao Alvo.
É este meu parecer, salvo disposição contrária.

ps: Como nossas emoções mudam no curto prazo de uma semana! Sábado passado, as pulguinhas do início do texto assolavam o atrás da minha orelha, agora estou radiante porque abandonei ontem, definitivamente, as calças de uma certa numeração e parti pra outra menor! Bem-vindos 30 anos!!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sobre a monotonia

Li certo dia que não existem pessoas boas ou más, e sim pessoas interessantes e monótonas.
Na verdade todos desejamos ser interessantes, diferentes, atraentes. Passar por este mundinho e não ser notado, amado, lembrado? Sofrimento eterno...Há um anseio no coração do homem de ser especial, não ser mais um na multidão...e cada um busca, de acordo com sua visão de mundo, alcançar esse patamar de exclusividade. Uns destacam-se no esporte, outros nos estudos. Há quem simplesmente cubra o corpo com algum pano e há aqueles que se arrumam até para fazer faxina. Dinheiro, amigos, look, cultura, trabalho, fé, família: são várias as possibilidades para ser único.

Porém, no fundo, lá no fundo onde muitos estupidamente se recusam a vasculhar, somos todos iguais. Há uma monotonia visceral no ser humano. É, não há nada de novo debaixo dos céus.
Uma bela voz desabafou " minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". Inevitável...

Esse texto não pretende ser pessimista, apenas realista ( desconfio que todo mal-humorado diz isso...rs).
Há uma coisa boa na rotina: higiene requer rotina, por exemplo. Todo dia tomamos banho, escovamos os dentes... alguém enjoa disso? Rotina bota ordem no nosso mundinho caótico. Por exemplo, daqui a pouco vou almoçar ( rotina boa) e ouvir o Evaristo Costa me dar "boa tarde"...gosto disso.

Convivo com adolescentes. Tento transformar meu fardo profissional em aprendizagem pessoal.
Adolescente quer inovar e botar pra quebrar, acham que são interessantes. Mal sabem eles que essa rebeldia é a coisa mais previsível da Terra, ou seja, monótona....

Ler e escrever me ajudam a fugir da mesmice.

Ler abre minha mente.

Escrever areja meu coração.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Com vocês, Alberto Caeiro

para duas guardadoras de rebanho: Ju Flory e Ma Casari


"Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz."



ele me ensinou a valorizar instantes...



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tulipas

Que coisa mais linda!
Como faz bem olhar pra um campo cheio de flores!
Ela acaba de acordar. Olha no relógio e pensa absurdos. Tudo isso pra quê?
Mais um dia de roda viva, roda moinho, roda peão, o tempo está rodando num instante...nas voltas do seu coração. Em muitos instantes. Aliás, é só o que há: instantes.
Na nossa desesperada tentativa de lembrança, inventamos a história, o tempo, mas só há instantes.
Mas teimamos em querer ver sentido nas coisas, criar uma lógica, uma ridícula linha do tempo pra tentarmos ver sentido. Somos risíveis...
"Vamos celebrar instantes!" Ela decide em harmonia com o travesseiro.

Instantes de beleza em meio ao caos da vida. Instantes que merecem, de acordo com nosso próprio conceito e juízo, serem vividos, relembrados, escritos, lidos, descobertos.

Já reparou na beleza da tulipa? É tão delicada e forte ao mesmo tempo. Não precisa de espinhos para se proteger. É soberana, decidida, não fica cai-num-cai como a romântica da rosa. Ela sempre quis um quadro com tulipas rosas em seu quarto, em cima da cabeceira da cama. Tulipas perto da cabeça, entrando ou saindo, tanto faz.

Celebrar instantes de tulipa... ri de sua ideia. Se não há sentido na vida, que haja beleza!!!